Uruguaiana: uma volta por cima


Localizado na fronteira oeste do Estado, o município de Uruguaiana tem sua evolução ligada diretamente à histórica vocação para o desenvolvimento da pecuária no RS. Foi naquelas estâncias que importantes criatórios de gado europeu expandiram e fortaleceram seus plantéis ao longo de décadas. Carregando a tradição no nome, famílias inteiras dedicaram gerações para produzir animais cada vez melhores e capazes de dar origem a uma carne diferenciada e de alta qualidade. Uma boa parte dessa história foi (e ainda vem sendo) escrita pela família Tellechea.

Atualmente, novos personagens assumem a tradição da família quando o assunto é pecuária e representação da atividade. Entre eles estão os irmãos Ignacio e Martin Tellechea, filhos de Flávio Antônio Tellechea e Claudia Indarte Silva. Nesse ano, a família comemora os 25 anos da Rincon del Sarandy, uma cabanha que carrega a tradição e o amor pelo campo. A data será comemorada como o pessoal da pecuária gosta: com um grande leilão virtual de gado, agendado para o dia 15 de agosto.


A história do Rincon começa com a trágica e prematura morte de Flávio Antônio Tellechea (1960 - 1989), conhecido como Neco, em um acidente de trânsito. Coube à Claudia Indarte Silva, a jovem viúva, uma mulher com 29 anos e, então, mãe de dois filhos pequenos, o desafio de iniciar, sozinha, um novo empreendimento: a formação de uma cabanha. Em 1996, unindo a sua coragem e determinação à experiência herdada do pai, o leiloeiro e pecuarista Trajano Silva, ela criou a Rincon del Sarandy em uma área de 641 hectares herdada da partilha do Condomínio Sucessores, de Flavio Bastos Tellechea.

Enquanto superava os desafios da maternidade, ela também lidava com a construção de toda a infraestrutura que uma propriedade rural moderna precisa, como instalação de energia elétrica, edificação de uma sede e implantação das mangueiras para manejo do gado, além de semear as pastagens para alimentar as 500 cabeças de gado que herdara. Ignacio e Martin cresciam, e a Rincon crescia junto. Hoje em dia, são eles os jovens que comandam os trabalhos e perpetuam a marca da cabanha Brasil afora. Sempre presentes no desenvolvimento da empreitada de Claudia, eles participaram de importantes vitórias, como o primeiro título de Grande Campeão da Expointer, em 2011, com o touro da raça angus de nome Rincon Craque 1373 del Sarandy. Outra importante façanha foi a conquista do tetracampeonato no Ranking Nacional de Criadores da Associação Brasileira de Angus, nos anos de 2009 a 2012. Estes, entre tantos, são alguns dos títulos que assinalam o trabalho de desenvolvimento e padronização genética que vem sendo realizado na Rincon.

Focada em produzir animais de consistência, atualmente a cabanha cria as raças angus, brangus e ultrablack, além de cavalos crioulos. Em 2019, a propriedade criou um programa de seleção independente, o RinconMas+, que serve para potencializar a atuação da genética superior nos rebanhos comerciais. Com a iniciativa, todas as fêmeas adquiridas de clientes de touros carregam essa marca e são submetidas a um rigoroso processo seletivo, emprenhadas com a ponta dos reprodutores da Rincon e submetidas ao crivo fenotípico das associações de raça. Esse trabalho serve para criar homogeneidade no padrão genético e dar o “toque” da cabanha, o seu próprio código. No remate virtual do dia 15 de agosto, o Rincon Code celebrará um quarto de século da Rincon del Sarandy e demonstrará, em pista, todo o potencial genético que a cabanha vem construindo ao longo do tempo no berço da pecuária gaúcha.


Reprodução de texto: Almanaque Gaúcho.


Crédito da foto acima: Nelson Pinto.


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